Ainda a interdição das burqas

"É necessário entender que em ambientes opressores, o véu permite às mulheres a negociação da sua liberdade (sair à rua, estudar, trabalhar, etc.,), o que explica a razão de algumas lhe atribuírem valor no seu percurso para a emancipação", afirma Ana Matos Pires no Jugular.

Igualmente, em ambientes opressores e proselitistas a lei irá ser explorada até ao limite, sendo os movimentos feministas muçulmanos demasiado minoritários. O facto da tendência dominante ser hoje em dia agressivamente conservadora impele à opressão de quem não o é e à contaminação de ambientes laicos (exemplo: a escola). é uma relação de poder onde hoje a parte progressista aparece enfraquecida.

Sem querer utilizar argumentos de autoridade, parece-me que poucos portugueses fazem uma ideia do que é a imensa pressão social e cultural em bairros, escolas e lugares públicos dominados pela cultura muçulmana radical. Gostava de encontrar mais testemunhos de activistas que contactem de perto a realidade da opressão islamista sobre as mulheres. Por exemplo: http :/ http://www.niputesnisoumises.com /"

De resto, ao referir a negociação da liberdade estamos a admitir que a burqa é, objectiva e quase sempre subjectivamente, imposta às mulheres. Mas como não posso admitir que uma mulher mal tratada pelo seu marido negoceie a sua liberdade em troca de violência, também não posso admitir, em 2010 e no coração da Europa, que uma mulher negoceie a sua liberdade em troca de uma burqa. Sendo que tenho muitas reservas em relação a uma lei.

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A propos Nuno Pinto da Cruz

Designer graphique, dessinateur, géographe.
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